Eu quero ouvir uma palavra amiga...

Gente, esse momento era inesperado. Não houve previsões para ele, ou pelo menos não fomos informados. Estamos no mesmo barco: ricos, pobres, miseráveis, pretos, brancos, estrangeiros. Se afundar aqui, afunda ali.

Estamos acostumados a correria, interações de vários níveis, farras, missas, cultos, festas em família, reuniões, viagens. Nunca fomos treinados para o isolamento social. Não sabemos como viver sem tocar, abraçar, beijar, nos reunir, dançar, passear, bater pernas em qualquer lugar.

Até nem visitamos muita gente. Mas agora que queremos, não podemos. Até nem vivemos nos abraçando. Mas agora que necessitamos, não podemos. Até nem íamos aquela praça, aquela missa, aquele shopping, mas agora que pensamos em fazer isso, não podemos. Até fazia tempo que visitávamos aquele tio, irmão, amiga, mas agora que desejamos fazer isso, não devemos fazer.

Fizemos mil planos para 2020, demos 7 pulinhos no mar, enviamos mil cartões virtuais, fizemos inúmeras promessas, demos início a vários projetos e tínhamos metas a alcançar. Mas o HOMEM PÕE, E DEUS DISPÕE?

E agora, o que faremos?

O sentimento é de medo, vazio e impotência.

Isso pode matar mais que o COVID 19, pois isso mina nossas forças e baixa a nossa imunidade.

Se você já estava com sinais de pânico, depressão, solidão, fobias, desesperança, desespero, a pandemia ampliou isso a potências incalculáveis. Se já estava ruim, piorou e agora não sabemos onde tudo isso vai parar e se iremos sobreviver. Isso não é pessimismo, é a realidade desse momento. E todos os que estão vivos, encarnados, estão na mesma frequência.

Tenho pena (no bom sentido, se é que exista isso) de mim, de nós, do planeta, do rico e do pobre. Sobretudo daqueles onde o pão já começa a faltar. Da idosa de 88 anos com seus produtos de venda interditados que falou: se não vender, não como. Da outra que disse que não tem renda de espécie nenhuma e se não colocar seu coentro na feira, não come. Do senhor idoso (com lágrimas nos olhos) que disse que tinha filhos e netos para alimentar e adoraria estar em casa, mas não pode. Como estarão esses milhões de brasileiros, mínimos comerciantes, que vendem a água mineral para comprar o alimento do dia?

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